-
Leafar



- Membro desde 12-24-2005
- Sao Paulo


|
Opa! Então já vai aí o capítulo 2! Abraços, - Rafa *** Capítulo 2 - adeus, Juno10h45
A manhã estava atípica em Juno. A cidade, com suas elevadas construções, era conhecida como “A cidade onde o sol nasce”, pois sempre recebia os raios solares primeiro.
Na Bilioteca, o maior prédio da cidade, dezenas de estudantes praticavam seus experimentos de Alquimia. Misturados a eles, estudantes de Magia buscavam o conhecimento suficiente para tornarem-se sábios. O comércio, que não fechava nunca, agora repunha as mercadorias vendidas durante a noite.
Porém, como dito, o dia estava atípico. A atmosfera parecia pesada; o ar, ruim de se respirar. Não havia muito barulho nas ruas, e era como se a qualquer momento o céu fosse explodir, de tão tenso que estava o clima. E em meio a isso, duas mulheres andavam sem preocupações aparentes.
- Aren está inquieto - disse Lara, olhando o belo falcão que a sobrevoava a amiga.
- É verdade. Os animais têm instintos melhores que os nossos. Espero que não seja nada muito grave que o esteja perturbando - respondeu a caçadora, sem parar de andar.
- Vamos comer algo. Estou faminta - a mercenária apontou para a taverna. Não recebeu uma resposta e virou-se para Paola. Percebeu que a Caçadora tinha corrido para um amontoado de gente, em uma das praças da cidade.
Os olhos hábeis de Paola logo notaram o brasão da Ordem do Dragão no peito do Bruxo caído no chão.Notou alguns sangramentos em suas vestes e se aproximou para ouvir o que ele dizia.
- Fujam enquanto há tempo - dizia o Bruxo, respirando pesado - Juno está prestes a tombar!
As pessoas riram. Um sacerdote se aproximou calmamente e invocou cinco vezes uma poderosa magia de Cura, revigorando o Bruxo.
- Seus ferimentos estão curados - disse o sacerdote - Recomendo que agora procure um médico pra ver essa insanidade em sua mente!
Mais risos se seguiram, e a multidão se disperou. O Bruxo se indignou e ficou subiu na base de uma das colossais estátuas estátuas.
- Escutem o que tenho a dizer! É sério! Juno será devastada em algumas horas! Saiam todos daqui o mais depressa possível! Escutem-me, maldição!
Paola e Lara observaram em silêncio os gritos desesperados daquele homem. Alguns cavaleiros atiraram moedas nos pés dele, rindo. O pavor era visível nos olhos do Bruxo.
- Acreditem em mim, pelo seu próprio bem! Glast Heim tombou, e as cidades marcadas agora serão erradicadas! Saiam daqui enquanto...
Mal dizia sua frase, o cabo de uma lança bateu nos pés dele, derrubando-o pesadamente no chão. Guardas de Juno rapidamente o imobilizaram e levaram-no para a entrada do palácio.
Nesse ínterim, porém, o Bruxo havia notado os olhares sérios das duas moças. E enquanto era algemado e levado, sussurrou de um modo que ecoou alto nas mentes delas.
- O que digo é verdade. Tirem as pessoas daqui antes do meio-dia. Salvem-se.
As duas se entreolharam. Paola teve uma sensação estranha e olhou para o longo caminho da montanha que conduzia normalmente os viajantes de Al De Baran até Juno.
Lara a observou de soslaio. Após alguns segundos de silêncio, as duas viraram em direção à Biblioteca e correram.
***
Campos de Juno, 11h20
Os Pecos do trio de amigos, após horas de viagem ininterrupta, finalmente tombaram, cansados e sedentos. Normalmente Julian teria parado para conseguir água para eles, mas a emergência da situação o fez sacrificar os animais até o limite.
- Perdoem-nos, estimadas montarias, - disse, saltando para o chão, deixando seu Peco deitar, exausto - mas foram de suma importância nesta empreitada. Vão, estão livres!
Maya e Giu também saltaram de seus Pecos, que acompanhando o de Julian, caíram no chão, acabados.
- Chegamos! Temos que encontrá-la! Giu, tem idéia de onde ela esteja?
- Não, amigo. Não estamos com o elo de um grupo ou guilda. E não consigo estabelecer contato mental com ela também.
Os três correram. Em instantes estavam na gloriosa entrada de Juno, com suas estátuas gigantes e feixes de luz que explodiam para os céus. Julian e Maya olharam para o grande relógio, no topo de um pedestal e que podia ser visto de qualquer lugar.
- Prestem atenção, - Julian falou sério, observando os dois - temos pouco mais de meia hora. Eu cobrirei a ala norte. Giu, vá para o leste. Maya, para o Oeste. Não importa o que aconteça, todos nós, independente de encontrar Paola, devemos estar nestes portões às 10 para o meio-dia. Cinco para o meio-dia, quem quer que esteja aqui, deve ir embora, com quem estiver acompanhado. Entendido?
- Por mim tudo bem, sei que vou encontrar logo minha irmã. Maya, ok?
A noviça não respondia, com os olhos abertos, fitando o nada, com a mente perturbada. Giu cutucou ela no ombro e não teve resposta.
- Cura, plz!1!1!! - falou o bardo, coçando a cabeça.
- Curo... curo sim... - sem se virar, a menina invocou a magia de Cura no bardo.
- MAYA! - Julian berrou, segurando ela pelos ombros. O choque a trouxe de volta para o mundo real - Acorde! Ouviu o que eu disse?
- S-sim, J-Julian, me perdoe. Ala Oeste. Dez para o meio-dia. Ok, entendido. Sim.
- Vamos!
Os três correram, separando-se nas direções combinadas.
***
11h40
- Ele pode estar dizendo a verdade, senhor! - Paola estava fora do sério, argumentando com um homem.
- Pode estar, ou não. - respondeu ele - Há uma probabilidade de 50% de que ele esteja dizendo a verdade. Ou não.
- Por favor, o senhor é conhecedor de grandes artes. Deve ter algum meio de falar com alguém em Glast Heim, apenas para nos dar paz.
- Sim, há uma chance. Eu posso usar meu brasão, que me permite comunicação com minha esposa, que está passando alguns dias em Glast Heim. Ela pode me responder. Ou não.
Paola engoliu seco. O homem calmamente foi até a janela e fitou o céu na direção de Glast Heim. Ficou concentrado por alguns momentos. Puxou um bracelete de sua guilda e observou ele, assustado.
- Engraçado - disse ele - Minha esposa, até essa noite, aparecia acordada aqui no meu Altigê. Agora ela não consta mais na lista. Alguma coisa ruim pode ter acontecido a ela.
Virou-se então para as duas moças e completou.
- Ou não.
- Eu vou matar esse desgraçado! E não vai ter “ou não”!!!
Lara, que até então estava quieta, explodiu de raiva. Paola a segurou como pôde, impedindo que a amiga cometesse um crime.
- Senhor, - Paola tentava usar uma voz suave, segurando a mercenária irritada - pode nos deixar conversar com o Bruxo preso? Por favor?
- Eu poderia, de fato. Vocês poderiam conversar com ele e esclarecer tudo isso, e voltarem às suas vidas comuns, sem importunar mais ninguém.
Lara se acalmou e Paola pôde soltá-la. As duas sorriram e entreolharam-se.
- Ou não - disse o homem, colocando a mão no queixo e fazendo cara de quem estava pensando em algo ruim.
- EU VOU TE MATAAAAR!!!
Diante da nova explosão de Lara, Paola novamente fez força para segurar a mercenária, enquanto o sábio filosofava solitário sobre as chances matemáticas das coisas acontecerem.
***
Centro de Juno, 11h45
Maya, suada, segurava o choro. Não tinha tido nem sinal de Paola nas buscas que fez. O horário do relógio a fez se desesperar. Começou a andar em direção à saída da cidade, mas parou ao ouvir uma melodia de cítara. Notou Giuseppe de pé em um banco, entoando uma canção para todos que podiam ouvi-lo.
![Cantar [/lala]](/forum/Ragnarok/emoticons/emotion-64.gif) “Eu vim para lhes avisar do mal que vai se abater Vim encontrar minha irmã e a vida lhe salvar Mas vós riem de mim, pobre bardo a lhes entreter E sequer algumas moedas não querem me jogar
Pois deixo a sentença, mesmo sendo réu A destruição de tudo vai realmente acontecer A terra vai se abrir e o fogo virá do céu E já que não me ouvem vocês vão se fo...”
![Cantar [/lala]](/forum/Ragnarok/emoticons/emotion-64.gif) Ele interrompeu a música ao ouvir o choro baixinho de Maya ali perto. Suspirou e deixou a cítara escorrer para suas costas, entre a roupa e a capa. Pegou o chapéu, tirou as moedas que lhe deram e caminhou até a direção da noviça.
- Ei, cego! - berrou um espadachim - Você não terminou a música! Como é o fim dela?
Giu abaixou a cabeça. Virou-se para ele e disse:
- Você verá em mais alguns minutos se continuar aqui na cidade, rapaz. Eu estou indo embora.
Giu pegou a mão de Maya e puxou a noviça para a saída.
- Que horas são, Maya?
- Onze e quarenta e seis.
Giu balançou a cabeça postivamente, devagar, agradecendo. Falou baixinho então.
- Que Odin o proteje e o guie até Paola, Julian.
***
Biblioteca, 11h46
O céu começou a mudar. Em instantes, o azul estava cinza e brilho do sol fora encoberto por nuvens escuras e pesadas. Um vendaval sobrenatural se abateu sobre a cidade. Julian correu até a porta da Biblioteca. Ali costumava se reunir a maior parte da população e dos visitantes de Juno.
- Odin, guia meus passos neste lugar até a irmã de meu amigo, se esta for a tua vontade.
Deu um beijo no Rosário e entrou na construção. Por causa do mau tempo, o lugar estava apinhado de gente. Julian notou que um tumulto se iniciava. Parecia, enfim, que algumas pessoas estavam acreditando que algo muito ruim aconteceria com Juno, e estavam começando a fugir da cidade.
Determinado, seguindo seus instintos e sua fé, ele entrou na sala certa. Viu Paola segurando Lara, que tentava, aparentemente sem motivo, matar um homem, com duas Adagas da Boa Ventura em suas mãos.
- Me solta! Ele vai morrer! Cabaço maldito! Desgraç...
A presença do templário impôs uma calma momentânea na sala. Paola, Lara e o homem olharam para Julian e sentiram-se mais tranquilos.
- Digo-lhes para que saiam de Juno imediatamente. O grande lorde todo-poderoso Odin guiou-me até aqui para lhes dar esta má-nova, e faz-se mister que esta cidade seja evacuada.
O sábio não duvidou das palavras de Julian. Andou até ele e colocou as mãos em seus ombros.
- Em um servo de Odin não se aplica matemáticas e chances. - disse ele - Se diz isso é porque é verdade.
- Julian, - Paola empurrou o sábio e ficou na frente dele - um Bruxo da sua guilda está preso.
- Onde? - Julian olhou para o homem.
- Ele estava pregando a desordem, não pude acred...
- ONDE ele está? - Julian olhou firme para o homem, que engoliu seco, intimidado.
- Segundo subsolo, corredor 2, cela b12 - a reposta foi imediata.
- Paola, Lara, escutem. A cidade não vai passar do meio-dia. Salvem suas vidas e a de quem puderem no caminho. Vou salvar meu amigo. Seu irmão e Maya o aguardam na saída. Corram.
Paola apenas assentiu com a cabeça, sem discutir, e correu. Lara parou e olhou o Templário.
- Você é corajoso.
- Também. Mas eu tenho fé. E ninguém ficará para trás.
Lara pegou o homem pelo braço, e sob o olhar de Julian, deixou a Biblioteca.
***
Portal de saída de Juno, 11h53
- Giu, veja!!!
Maya, que estava em cima de uma pedra, apontou para Paola e Lara, que vinham correndo em meio à multidão que fugia da cidade. O bardo balançou a cabeça negativamente.
- Fala sério, você deve estar de sacanagem comigo. Quer que eu VEJA o que?
A garota ruborizou na mesma hora. Abaixou a cabeça e apertou o vestido, envergonhada por ter pedido para o amigo cego “olhar” o que via.
- É que vi sua irmã, acompanhada de Lara.
- Então sobe na pedra e acena pra elas, criatura!!!
As duas viram Maya abanando os braços e pulando e correram na direção dela. Deram sorte de ver logo, pois ela escorregou e caiu, dando de cara no chão.
- Ai... Cura... - levantou-se, tirando a terra do vestido com batidas -... santa magia.
- Giu!
- Paola!
Os irmãos se abraçaram. Maya olhou para Lara, desesperada.
- Onde está Julian?
- Foi salvar um coleguinha. Vamos embora. - disse a mercenária, seca.
- Não, nós temos que...
Ninguém conseguiu ouvir nada. O céu, antes cinza, agora estava vermelho. Raios começaram a cair, acertando ocasionalmente os prédios e estátuas, espalhando destroços nas pessoas que fugiam.
A noviça, inicialmente abalada, subiu na pedra. Conforme os feridos passavam correndo por ela, deixando a cidade, ela invocava sua cura neles.
- Venham! - gritou Giu - Paola, Maya, Lara... vamos!
Maya olhou o relógio, desesperada. Eram 11h55. Nem sinal de Julian.
- Vamos ou não teremos tempo! - Paola segurou Giu pela mão e puxou ele.
Lara parou, olhando a noviça, que se equilibrava na pedra, procurando Juilan.
- Vamos embora, Maya, você ouviu o bardo. Esse lugar vai virar história em alguns minutos.
Os olhares das duas se cruzaram. Maya notou uma certa angústia em Lara. O olhar da noviça implorava ajuda. Lara engoliu seco ao ver o ponteiro do relógio se mover para o 56.
- Cocô* - xingou antes de correr de volta para dentro da cidade.
*nota: era ***, mas o filtro não deixa... -_-
***
- Corram! Saiam daqui!!!
Conforme passava pelos corredores, Julian batia com sua espada nos cadeados das celas. Os presos, ali, claro, mereciam pagar por seus crimes. Mas a idéia de deixar pessoas morrerem sem uma chance de sobrevivência fazia o servo de Odin ter crises nervosas de consciência. Preferia pecar libertando aquelas pessoas do que deixá-las para morrer daquele modo.
- Cela b12... achei! - disse, constatando que era a última do corredor.
Julian preparou-se para bater no cadeado da cela, mas parou. O subsolo já estava com deslizamentos e pequenos desmoronamentos. Não conhecia aquele Bruxo da Ordem do Dragão que estava na cela, mas certamente não se esqueceria mais dele. Vítima de um desmoronamento de pedras pesadas e maciças, a cabeça dele tinha sido separada do corpo, e estava caída perto das grades. Em meio ao caos, ajoelhou-se e segurou o Rosário.
- Que sua alma encontre a paz no Valhalla, diante de nosso lorde Odin. Teu corpo pereceu, mas tua alma viverá na eternidade, até o dia do Ragnarok.
- Você tem problemas mentais.
Julian virou para ver Lara, que mal acreditava que tinha chegado ali.
- O que?
- Você é louco - ela pegou ele pelo braço e puxou sem o menor cuidado, para que deixassem o lugar.
- Eu estava orando pela alma de meu falecido amigo.
- Se quiser, pode ficar aqui e ir encontrar ele pessoalmente logo mais.
Julian sorriu enquanto se livrava das mãos de Lara, para correr sozinho.
- Eu sabia que você viria, Lara.
- Se acha tão irresistível assim?
- Não. - disse ele, mantendo a serenidade enquanto corria - Mas uma vez que alguém faça o juramento da Cavalaria, nunca mais o quebra.
Lara não respondeu. Suspirou para espantar as lembranças do passado e correu com Julian para fora.
Os dois cruzaram a cidade em grande velocidade. Súbito, Julian parou.
- Lara!
Ela se virou. Ele levantou os braços e olhou para as amarras de sua armadura metálica. A mercenária, sem piscar e sem perguntar, golpeou. Em segundos, a armadura e as braçadeiras caíram no chão. Antes de continuar correndo, ela não deixou de notar a carta inserida na armadura.
- Lá se vai uma Carta Angeling - disse ela.
- Vai-se a carta, ficamos nós.
O céu, como na tensão que antecedia a desgraça, explodiu. Uma luz quase cegante tomou conta dele por um segundo. A seguir, centenas de raios começaram a descer com mais fúria, atingindo o chão. Pessoas que estavam encarando aquilo apenas como uma tempestade um pouco mais forte e que tinham recusado-se a abandonar Juno, começaram e ser eletrocutadas. Animais presos em grades e caixas, desesperados, se debatiam e sangravam, tentando se salvar. Meteoritos do tamanho maior que a praça central de Prontera começaram a cair flamejantes dos céus, junto com os raios. As estátuas colossais foram se desfazendo uma a uma, afundando no chão, apenas como um monte de lixo.
Um destroço que voou de uma das estátuas atingiu Lara, que corria na frente de Julian. A mercenária cambaleou e apagou. Porém, antes que seu corpo desfalecido tocasse o chão, Julian passou o braço e a jogou sobre o ombro esquerdo.
"Não olhe para trás", pensou, ouvindo a destruição acontecer em suas costas.
Na sua frente, o chão começava a ceder. Imbuído de sua fé e força, ele pulava os trechos falhos. Faltavam alguns metros e sentiu que não conseguiria.
- Odin, - disse - guarda nossas almas.
De trás de uma pedra grande, Maya apareceu. A noviça esticou os braços e invocou sua magia em Julian.
- Aumentar Agilidade!!!
Revigorado, Julian avançou na direção de Maya.
- Aumentar AGH!
Maya quase vomitou quando Julian passou o braço livre em sua barriga, interrompendo a magia que também invocava sobre si e a jogou no ombro direito.
- Senhor...
A noviça, descrente, pendurada no ombro de Julian, viu Juno afundar em um monte de entulho e pedras gigante. Ouviu o grito de centenas, que morriam soterrados com a cidade que despencava de suas alturas exageradas. Era o fim da cidade do Norte.
“Super Julian, amigo, que bom estar contigo em sua oração Você salvou as donzelas e trouxe essas duas pro meu coração!”*
![Cantar [/lala]](/forum/Ragnarok/emoticons/emotion-64.gif) Mesmo em meio ao caos, Giu continuava fazendo gracinhas. Julian deitou as duas no chão e andou até o bardo.
- Er... você acha que devo parar?
Sem responder, Julian pegou a cítara de Giu e puxou as cordas, até estourar elas.
- Sim, você acha que devo parar.
Maya curou Lara, que acordou, balançando a cabeça. Paola abraçou Giu e ficou olhando para o nada, onde há alguns momentos havia Juno. Julian deu um passo para a frente do grupo. Atrás deles, outros sobreviventes observavam em silêncio o vazio, que agora era preenchido por uma crescente nuvem de poeira.
O templário ficou quieto por alguns instantes. Um calafrio lhe subiu a espinha ao constatar que havia sido a última pessoa viva a pisar em Juno. Mais do que a dor da perda de uma cidade, aquilo lhe rendeu um péssimo pressentimento.
Ajoelhou-se, pegou o Rosário e começou uma oração longa e emocionada. Quando percebeu, havia dois sacerdotes ajoelhados do seu lado, de olhos fechados, orando. Tentou voltar a orar, mas ouviu um murmurinho atrás de si. Todos os sobreviventes, alguns chorando, outros contendo as lágrimas, rezavam pelas almas perdidas ali.
*Cantar na melodia da música do Balão Mágico (Super, Fantástico, amigo, que bom estar contigo no nosso balão...)
***
Interlúdio #1
A grande embarcação Drakkar conhecida como “Mjolnir”, ou “Martelo de Thor”, singrava o mar do leste. Na proa dele, o templário observava o mar revolto, com ondas nervosas e vento forte. Os olhos negros contemplavam uma ilha terminar de afundar, sumindo com todos os seus tesouros; em especial com uma pedra, estrategicamente colocada ali.
Um Cavaleiro se aproximou do templário e fez postura de cumprimento.
- General Nekrunn!
- Diga, rapaz - respondeu o templário, virando-se, com o cabelo loiro e curto movendo-se com o vento.
- Acabamos de ser informados. Juno foi destruída.
O semblante do general ficou entristecido. Ele virou-se para o mar e novamente olhou as águas, agora calmas. Não havia o menor sinal de que a Ilha da Tartaruga tinha existido um dia.
- Glast Heim, Juno, Ilha da Tartaruga... - suspirou e desceu da Proa para o convés, acompanhado do Cavaleiro - estamos vivendo a História, rapaz. Mas receio de que não sobre ninguém para contá-la. Ou sequer ouví-la.
Os dois ficaram observando o mar enquanto o sol se firmava no céu.
***
Interlúdio #2
- Eu queria ir ver meus irmãos um pouco, tio.
O homem, alvo do comentário do aprendiz, ignorou. Sua armadura verde refletia um sol poderoso, quase que absoluto em seu brilho. Mais forte que a luz de sua armadura, porém, era o dourado dos grandes chifres de seu elmo. Com um dos braços para trás, aquele ser divino tocou o cabelo vermelho do menino.
- Seus irmãos estão um pouco ocupados, pequeno Tarcon. Assim como o tio Heimdall. Por isso que eu estou aqui. Logo vou precisar da sua ajuda. E aí talvez você veja os Belmont novamente.
- Aí, obrigado, tio! Valeu mesmo!
Enganar crianças era algo realmente fácil. Aliás, enganar qualquer um não era difícil para o deus das mentiras. E um sorriso fino e cínico surgiu nos lábios de Loki.
***
Leafar RagnaTales.com.br - A quem merece, oferecemos nossas cores para honrar. A quem inveja, oferecemos nossa sombra para viver.Acompanhe-nos também pelo Twitter!
|
|