RagnaTale: Leo

Texto: Rafael de Agostini Ferreira
Arte: Daniel "NIORI" Uires
Artista especialmente convidado (capa): Roberto "Huxley Skyjack" Enachev
Vilão especialmente convidado: Cesar Romero como o Jóquer, o Coringa
***
Cidade de Payon
O vento
mexia forte nas folhagens. O casal Cerridwen estava aflito. Há algumas
horas, iam fazer um piquenique inocente. Aislinn, sua filha, tinha se
afastado demais. E tinha sido capturada por orcs. Seria parte de um
ritual para a evocação de uma antiga entidade, a Heroína Orc. E sua
vida seria necessária para isso.
Eles não
sabiam o que fazer. A esperança lhes era algo inalcançável. Mas mal
sabiam que seu filho adotivo jamais permaneceria parado diante de
alguém em perigo - principalmente alguém amado. Seu nome de verdade
ninguém sabia - chamaram-lhe de "Elessar", por causa de um livro que
leram uma vez.
Mas seu sangue era Belmont.
***
-
Aceite, Raggadhar, essa oferenda! Que o sangue desta jovem humana
virgem desperte a entidade adormecida! Volte para nós, Heroína dos Orcs!
A
adaga do feiticeiro Orc não conseguiu alcançar o peito de Aislinn. Os
olhos dele se esbugalharam. Caiu de joelhos no chão. Quando tombou para
o lado, estava cravejado de flechas. O louro, de cabelo liso e médio, o
encarava com um sorriso, com um arco em punho. Uma pequena mecha estava
arrumada em sua testa.
- Quem você pensa que é para nos atrapalhar? - urrou o Orc Herói que assistia a cena.
- Eu sou Elessar! - o Caçador fez um "V" com os dedos acima da cabeça - E vocês vão soltar a minha irmã agora!
-
Socorro! - Aislinn berrou, presa de pé em uma armação em forma de X.
Usava uma roupa de Aprendiz toda suja de terra. Seu corpo fedia a
sangue, usado para marcar seu corpo em várias partes.
O
Caçador não perdeu tempo. Correndo, começou a disparar flechas. Era
incrivelmente rápido. Conseguia se esquivar com habilidade dos ataques
dos orcs. Cada disparo era seguido do som de um corpo tombando. Por
fim, mirou no teto da enorme tenda, atingindo uma coluna. Ela caiu em
cima do Orc Herói, bloqueando-o momentaneamente.
- Nada tema! - disse ele, convencido, enquanto desamarrava Aislinn - Com Elessar não há problema!
- Eu... desculpa! Eu não quis me afastar tanto! Elessar!
A
garota o abraçou. Ele passou a mão na cabeça dela, suspirando aliviado.
Olhou por cima do ombro e viu que o MVP ainda lutava para se libertar
da coluna.
- Está tudo bem. Fica Tranquila. Nós vamos para casa e vamos esquecer o que aconteceu aqui.
Os
olhos dela se encheram de lágrimas, ao mesmo tempo em que ficou
ruborizada. Abaixou o rosto, mas Elessar segurou-a pelo queixo, fazendo
com que olhasse diretamente em seus olhos.
- O que foi, Ais?
- Achei que nunca mais fosse ver você. Eu realmente acreditei que fosse morrer e que eu nunca diria que... ...
- ... que me ama?
A boca da loura secou na hora. Perdeu o ar, enquanto via que o irmão adotado a olhava confiante, ainda segurando seu queixo.
-
Eu também te amo, Ais. Nunca te vi como irmã. E o que sinto por você
foi mais forte que tudo em mim. Não sei explicar. Você em perigo, as
pessoas sem poder fazer nada... meu sangue ferveu. Algo me impeliu a
vir aqui, como se fizesse parte da minha essência isso de lutar pelos
outros. E é ainda mais especial lutar por você.
Ela
sorriu, olhando-o receosa. Ele, mais velho e mais alto, aproximou-se e
deu um breve beijo, de olhos fechados. Ouviram então o urro do Orc
Herói se soltando.
- Elessar, eu...
-
Vá embora! Eu cuido dele! Volte para Payon! - tão logo disse ele, puxou
uma flecha e colocou-a no arco, retesando a corda - Nos veremos
novamente em breve, Ais!
A garota fez que
sim com a cabeça e se afastou. Fingiu que foi embora, mas continou ali,
na Vila Orc, escondida, vendo aquela que seria a derradeira batalha de
seu amado irmão adotivo em Rune-Midgard.
Não
muito longe dali, dentro do Calabouço Orc, um grupo estava em batalha.
Estavam acampados no local há mais de um mês. Um Orc tinha roubado uma
pedra Emperium ancestral e deixado-a com um Orc Zumbi dentro da
caverna. Aquela pedra era o artefato que traria de volta a lendária
Ordem do Dragão. E o clone, acreditando ser o Leafar verdadeiro, seguia
a missão que a tal da valquíria Brünhilde tinha lhe passado: ia
recuperar a pedra e reviver a guilda lendária. Espadachim, estava
acompanhado de outros dois colegas de classe - Tarcon e Nekrunn - além
de uma maga e uma noviça - Visolela e Miara.
O
que eles não sonhavam é que, das sombras, eram observados. Um par de
olhos elfos os vigiava. Mãos poderosas nocauteavam rapidamente zumbis
que poderiam atacar-lhes pelas costas. Determinado, disciplinado, Essny
estava escondido, cuidando deles desde que chegaram. E ficou admirado
quando a espada de Leafar dividiu um orc em dois. Seus olhos se
arregalaram quando viu o espadachim revistar o corpo e puxar uma pedra
gloriosa, dourada.
- Encontramos! - falou ele, enquanto os demais comemoravam ao redor.
E
o elfo sorriu de canto de boca. Fora Hildr, a valquíria, quem escondera
a pedra lá, como parte do plano para enganar Odin. Fez o garoto clone
viver sua primeira aventura, tirando do Todo-Poderoso qualquer
desconfiança sobre a noite de chuva sobrenatural que cobriu toda Geffen
e arredores. E Essny sabia disso. Estava satisfeito. Finalmente
voltariam para a luz do sol em definitivo.
Deixou
o grupo se afastar um pouco. Ia sair da caverna momentos depois.
Conferiu seus equipamentos e puxou um pequeno broche do bolso.
Encaixou-o no cinto e tocou-o.
- Leo? - disse ele, mentalmente, comunicando-se com o Arquimago.
- Reporte.
- O P-3 encontrou o Emperium. Estão indo para Prontera. Vão reviver a Ordem do Dragão.
- Muito bem. Parabéns por tê-los protegido.
- Devo continuar com o projeto Anjo da Guarda?
-
Sim. Nada pode acontecer com o P-3 até ele fundar a guilda e cumprir a
maldita missão de Odin. Sua prioridade continua sendo salvar a vida
dele.
- Entendido.
Essny
tirou o broche. Guardou-o no carrinho. Saía andando da caverna quando
ouviu uma gritaria. Sem perder tempo, sacou o Mangual e o Broquel e
correu. E viu dezenas de Espadachins, Gatunos, Noviços e Arqueiros
correndo. Um Orc enorme e musculoso, acompanhado de arqueiros, se
aproximava, com sangue no olhar. Era o MVP conhecido como "Senhor dos
Orcs".
Antes de qualquer reação do
Mestre-Ferreiro, porém, aconteceu algo que ele não esperava, nem no
mais distante de seus sonhos. Mas uma batalha em andamento tinha agora
um novo palco. Um Caçador enfrentava sozinho o Orc Herói. Eram flechas
voando enquanto ele corria para se esquivar da enorme espada. E a boca
de Essny se abriu quando ele reconheceu o louro: Elessar.
Um
novo grito chamou a atenção do elfo. Notou que Leafar estava ajoelhado,
protegendo com o próprio corpo uma mercadora desmaiada. Era uma questão
de segundos até que o Senhor dos Orcs os alcançasse.
O
tempo pareceu parar. Do seu lado direito, Elessar Belmont, filho
original de Leonard, caído, ferido e sozinho contra o Orc Herói. Do
lado esquerdo, Leafar, clone do segundo filho do amigo, a poucos metros
do destino fatídico - as botas metálicas do Senhor dos Orcs, que lhe
esmagariam como a um inseto, em uma voadora armada. Essny sentia cada
palpitar de seu coração. Tinha que pensar rápido. Precisava tomar uma
decisão crucial.
E tomou.
Largou
o mangual e correu. Sacou o Rondel e um pergaminho, que fez com que a
arma ficasse em chamas. Berrou, sendo impulsionado pelo próprio
carrinho. O elfo saltou no ar e bateu. A voadora do Senhor dos Orcs foi
interrompida. O Rondel tinha sido cravado na sua jugular. Seu corpo
pesado caiu no chão. Com a mão esquerda, Essny deu um murro no chão,
tirando os sentidos dos Orcs Aqueiros que acompanhavam seu mestre. Com
a direita, ergueu o carrinho, usando o Rondel como apoio, e bateu.
Moedas explodiam no couro verde da criatura. Buracos foram se fazendo.
Em poucos golpes, separou a cabeça do corpo do inimigo. Como era regra
do mundo, definido pelos deuses, uma explosão de luz se fez acima de
sua cabeça, com as letras M, V e P surgindo e sumindo.
Voltou
então o olhar para a outra luta. O Orc Herói segurava o Caçador pelo
pescoço com uma das mãos, erguendo-o. A cabeça estava caída para o
lado, indicando o ferimento fatal - o pescoço quebrado. O arco estava
no chão, enquanto um bando de Orcs Azuis comemorava.
Leafar
mal agradeceu o Mestre-Ferreiro, puxando a mercadora dali, auxiliado
por seu grupo. Essny olhou para o Orc Herói. A criatura, poderosa, viu
a ameaça no musculoso elfo. Notou o Rondel embebido no sangue do
companheiro morto e, sem pestanejar, bateu em retirada, de volta para a
Vila Orc.
Essny então aproximou-se do corpo do Caçador. Ajoelhou-se ao lado dele e segurou-o nos braços. Em silêncio, partiu dali.
***
O barulho fez Margareth andar depressa. Leo estava sentado, bebendo chá. Alguém batia com selvageria em sua porta, dando chutes.
- Posso abrir, querido?
O
Arquimago, entretido com a bebida, fez que sim. Estava pronto para
revidar qualquer um que fosse tolo o suficiente para atacá-lo - e que
fosse mais tolo ainda em atacá-lo em sua própria casa. Mas não estava
preparado para a visão que o pegou. Quando Margareth abriu a porta,
viram o Mestre-Ferreiro segurando o corpo do que parecia um Leafar mais
velho, mas vestido como Caçador. O casal ficou sem reação.
-
O P-3 está salvo. Eu não sei como isso aconteceu. Não sei como
exatamente ele foi parar lá. Mas este Caçador é quem vocês estão
pensando. E ele foi morto em combate pelo Orc Herói. Pelo que ouvi, ele
tinha ido salvar a irmã.
Leonard tomou o
corpo das mãos de Essny. Começou a respirar pesado, enquanto lágrimas
caíam aos montes de seus olhos furiosos. Ele não chorava; as lágrimas
apenas caíam, enquanto ele olhava na mais completa indignação para o
corpo. Levantou a cabeça então e, a plenos pulmões, berrou blasfêmias e
ofensas contra Odin e todo seu panteão. Usou xingamentos que fariam o
mais sujo dos marinheiros sentir-se envergonhado. Xingou até perder a
voz, apertando com força o corpo do primogênito falecido.
Margareth,
então, saiu correndo pela casa. Essny foi atrás dela, preocupado. A
mulher foi até o quarto do casal. Para a surpresa do elfo, ela pegou a
enorme cama por uma das laterais com apenas uma das mãos e ergueu-a,
arremessando-a para o lado. Puxou o tapete e encontrou um alçapão.
- Quem disse que matou meu filho, Essny? - falou, descontrolada, enquanto arrancava a porta até então oculta.
- O Orc Herói, senhora Belmont.
-
Eu jurei que jamais vestiria essa roupa novamente. Desde o que
aconteceu em Rachel, jurei que jamais empunharia estas armas novamente.
Mas nem Odin em pessoa vai parar a minha vingança!
Ao
dizer isso, arremessou a porta do alçapão. Puxou uma armadura metálica
linda, digna da mais poderosa das Ladys. Um conjunto de espadas de duas
mãos estava ali, coberto por uma tampa de vidro. Margareth deu um
murro, quebrando-a, e pegou uma das armas. Berrou com Essny para que
ele a ajudasse, e sem contrariar, ele ajudou-a a vestir a armadura.
Pegou uma poção avermelhada e bebeu, sentindo seu corpo se arrepiar. Os
dois foram para a sala, onde Leonard estava ajoelhado, segurando o
cadáver no colo. Margareth passou pelos dois e arrancou de cima da
lareira um Elmo Angelical que estava em um suporte, com uma Barbatana e
um Bevor.
O abatido Arquimago olhou a
esposa. Não conseguiu dizer nada. Apenas trocaram olhares de
cumplicidade e solidariedade. Ela então chutou a porta, arrebentando-a.
Desesperado, Essny seguiu a Belmont, que já tinha tomado à força o Peco
Peco de alguém e corria para a Vila dos Orcs.
E
naquela tarde, quem estava na Vila Orc lembraria por anos da batalha
entre a furiosa Lady desconhecida e o Orc Herói. Viram a mulher,
descontrolada, atacar com violência o MVP. Quebrariam seus preconceitos
de que apenas Cavaleiros com lanças e escudos conseguiam enfrentar
essas feras. E viram a mulher, sozinha, rachar o crânio do monstro, com
um golpe tão forte que sua espada só terminou a trajetória de ódio no
solo, com a lâmina sendo despedaçada.
Quando
os dois voltaram para a casa de Geffen, seguiram até o laboratório
secreto de Leonard. O Arquimago estava sentado, com o olhar frio de
sempre. O corpo de Elessar estava em uma mortalha. Margareth segurava
um Elmo de Orc Herói dividido ao meio. Arremessou-o contra o tubo, onde
o Leafar original continuava em animação suspensa.
- Eu quero o meu filho! Abre essa coisa!
- Calma. - Arquimago mal se moveu.
-
Abre! Abre agora! Leafar! Leafar! Mamãe está aqui! Acorda, meu filho!
Eu vou te proteger de Odin, de Loki, de todo o panteão! Acorda, filho!
Completamente
histérica, Margareth começou a bater no espesso vidro. Essny engoliu
seco. Desesperada, a loura pegou um cano de ferro e bateu na direção do
vidro. Foi bloqueada pela mão do Arquimago, que impediu-a.
- Eu disse para se acalmar.
- Tira o meu filho daí! Abre essa coisa!
A
Lady soltou o cano e puxou o punho para trás. Leonard reconheu na hora
o Impacto de Tyr. Em uma fração de segundos, Margareth estava sendo
arremessada para trás por um Trovão de Júpiter, voando contra a parede.
Furiosa, ela correu. Agora foi uma Barreira de Fogo que bloqueou seu
caminho. O calor não a fez recuar. Porém, uma incrivelmente rápida
Rajada Congelante a tinha parado. E no segundo seguinte, era novamente
eletrocutada por um Trovão de Júpiter. Ergueu-se com dificuldade,
trêmula. Seu olhar encontrou o do marido.
-
Eu entendo sua dor. - disse ele - Entendo que está sofrendo de maneira
tão plena que isso a fez vestir essa armadura novamente, por vingança.
E sei que a morte do seu inimigo não lhe trouxe paz.
- Não, Leo! Eu quero o meu filho!
Margareth
se levantou e mesmo fraca tentou bater no tubo. Dessa vez, porém,
recebeu um tapa forte na cara. Caiu sentada, vendo na sua frente a mão
do marido, olhando sério para ela.
- Eu não terminei de falar. Não me interrompa. - disse isso e pegou a esposa pelo colarinho, erguendo-a.
Essny,
que convivia já há muito tempo com os humanos, sentiu compaixão.
Ensaiou impedir que Leonard fizesse algo com a mulher, mas o olhar do
Arquimago foi fulminante. O elfo limitou-se a abaixar a cabeça e
entender que não devia se envolver em assuntos tão íntimos de família.
-
Se você abrir esse tubo antes da hora, o Leafar vai morrer. Não é só
quebrar, limpar ele e "bom dia!". E mesmo que fosse simples assim, ele
não pode despertar. Se surgirem dois Leafar, além de um querer matar o
outro, Odin vai descobrir a farsa. Nunca mais teremos um filho
novamente. Isso se continuarmos vivos. Você está me entendendo,
Margareth?
A adrenalina no corpo da loura
diminuiu radicalmente. Balançou sua cabeça negativamente, com o rosto
se entregando à dor. Beijou a mão que lhe deu o tapa e abraçou forte o
Arquimago. Começou a repetir incessantemente "desculpe" enquanto
chorava. Leo, ao mesmo tempo, olhou para o elfo.
- Descubra por quê Elessar foi parar ali. Alguém vai pagar por isso. Muito caro, por sinal.
***
Alguns
dias depois, o silêncio era mortal na sala de jantar da casa dos
Belmont. Margareth estava sentada, olhando apreensiva para o marido.
Essny estava de cabeça baixa. Leonard olhava indignado para o amigo.
- Diga mais uma vez, Essny. Por favor.
-
Claro. Elessar foi salvar a Aislinn, que foi capturada para ser
oferenda de um ritual dos orcs. A garota tinha uma dessas conjunções
astrais, data de nascimento certa, sangue certo e um monte de outras
coisas certas que a tornavam o sacrifício perfeito para trazer de volta
à vida um MVP chamado "Heroína Orc".
- Hippies do inferno. Eu ODEIO hippies e suas rodas suspeitas de cantoria. - o Arquimago deu um murro na mesa.
- Calma, querido.
-
"Calma"? Quer dizer, eles têm uma filha que é um objeto perfeito de
sacrifício, são Sacerdotes e não fazem NADA para proteger ela? E deixam
ela ficar saltitando alegremente nos campos pra fazer piquenique?
Sozinha? Filhos da Pupa!
Ficaram quietos
enquanto Leonard xingava em línguas que eles mal sabiam que existiam.
Cada um absorvia aquilo de maneira diferente. Ventava forte em Geffen.
As janelas batiam com força, dando alguma vida à sala com aquelas três
pessoas imóveis. Por fim, o Arquimago olhou para o Mestre-Ferreiro.
- Essa Aislinn. Onde ela está?
- Está em Prontera. Não conseguiu voltar para Payon e está mendigando comida pelas ruas, usando uma Máscara Feliz.
- Eu vou matá-la. - o Arquimago disse e engoliu o resto de sua bebida em apenas um gole, frio.
Margareth
e Essny ficaram quietos. Leonard olhou para eles. Não recebeu olhares
de desaprovação. Aquilo parecia dar algum conforto para eles, por mais
cruel que parecesse. Mas o elfo se levantou.
-
Deixe isso comigo. Se você fizer isso, Leo, podemos colocar tudo a
perder. Prontera é vigiada por Odin. Se você matar a garota, dias
depois de ter acolhido de maneira suspeita o Caçador que está enterrado
no túmulo da sua família... e ainda sendo ela a mesma garota que o
Caçador foi salvar... bem, eu ficaria desconfiado.
- Não quero envolvê-lo em vingança pessoal, leal amigo.
- E é justamente por lealdade que eu irei fazer isso, Leo.
Com
um silêncio pesadíssimo, o elfo se levantou. Vestiu a Máscara de Solda
e colocou os Chifres Majestosos que estavam pendurados na parede.
Voltou-se para o casal.
- Não há milagre
que faça essa Aislinn Cerridwen sobreviver. Eu voltarei com a cabeça
dela em uma bandeja, para que você a despache para os pais dela e eles
entendam sua dor.
Essny teria matado
Aislinn. Ele saiu de Geffen com essa determinação. Elfo, dificilmente
se emocionava. Sua lealdade estava com Leonard e Margareth Belmont. E a
companhia do poderoso Arquimago o ajudaria a tirar de seus ombros o
peso da vergonha de quinhentos anos atrás, quando não ingressou na
Ordem do Dragão original e apenas assistiu a morte de toda a guilda, na
lendária batalha ao lado de Prontera.
Realmente,
Essny teria matado Aislinn de todas as maneiras possíveis, quantas
fossem as vezes necessárias. Mas o elfo estava chocado. Das mesmas
sombras de onde protegia o clone de Leafar, olhou-o ajoelhado em um
pequeno lago místico, com a loura do seu lado, de mãos dadas. Estavam
vestidos com roupas simples, rodeados por dezenas de pessoas. E perdeu
totalmente o poder de fazer qualquer coisa quando as palavras, ditas
com propriedade pela noviça ruiva que celebrava aquele conhecido
ritual, chegaram a seus ouvidos.
- ... e eu os declaro marido e mulher.
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