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RagnaTale: Leo

Última mensagem 09-27-2008 17:57 de SniperMaizena. 200 respostas.
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  • 04-25-2008 1:54

    • Leafar
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    • Tutor de Classe "A justiça em ação"

    RagnaTale: Leo

    Houve uma época em que o Satã Morroc era uma lembrança distante. A cidade de Rachel não tinha a figura misteriosa do Garra das Trevas. Dhutt ainda não era um General e não tentou se tornar o novo senhor de Rune Midgard. Loki não tinha destruído os três mundos de Chaos, Loki e Íris, para que Odin os unificasse. Surtr ainda não tinha reunido sua Ruína, nem tentado destruir o reino. E três membros dela ainda não tinham causado tanta dor a Leafar e Bonnie Heart em uma única madrugada. Leafar, aliás, não tinha sido clonado. E a Ordem do Dragão ainda não tinha renascido.

    Antes de tudo isso, já existia um homem. Um homem que buscava a verdade. Sempre.
    Seu nome é Leonard Belmont. E é sua história que será contada aqui.


    ***

    RagnaTale: Leo

     

    Texto: Rafael de Agostini Ferreira
    Arte: Daniel "NIORI"  Uires

    Índice

    I
    II - ler
    III - ler
    IV - ler
    V - ler
    VI - ler
    VII (final) - ler


    ***

    Quadrante cinco da cidade de Prontera
    Meados de 1500

    Há quinhentos anos atrás, uma grande guerra aconteceu nos reinos. Uma profecia se realizaria, e a força dos homens seria testada em seu limite. Milhares morreram lutando. Guildas foram extintas. Cidades, outrora majestosas, tinham tornado-se pó. Alguns deuses tinham ido pessoalmente para Midgard, e a lenda sobre a luta de Thor contra Loki em Prontera seria repetida por séculos.

    Alguns grupos, porém, se sacrificaram pelos demais. E à Ordem do Dragão, liderada pelo Lorde Christian Vallmore, general de um dos primeiros Rei Tristan I, coube a missão de um combate derradeiro contra a fera que seria nomeada por camponeses como "Demozan". E um a um, os combatentes de brasão rubro-dourado foram sendo derrotados. Aos poucos, seu sangue tingiu a grama de vermelho. Regimentos inteiros tombaram ante o poder da fera.

    E se arrependimento matasse, o elfo Essny Tahllam teria sido o primeiro a morrer. Negou o chamado de batalha quando a guerra explodiu. Abandonou sua amada Geffenia para fugir assustado. Mas mais que isso, tinha negado o convite de unir-se à Ordem do Dragão para aquela batalha. Ferreiro habilidoso, tinha reparado a armadura do Dragão Dourado, líder daquele exército. E, sozinho em sua caverna, arrependeu-se. Correu para o campo de batalha. Tropeçou em corpos e sujou-se em restos de vidas, caídos pelo chão. E ficou de joelhos ao ver o suspiro final de Christian, dando ordens para seu último comandado - um Templário de cabelos azuis.

    "Ele morreu", pensou, emocionado com o corpo caído do homem, enquanto via o templário correr. Fugido de sua terra, com a mancha da covardia por não ter lutado aquela batalha, tudo que fez foi seguir de longe o homem de cabelo azul, até uma clareira. Viu ele cavar na terra e enterrar uma espada e um livro. E Essny prendeu a respiração quando notou o corpo peludo e os chifres enormes do Bafomé que encurralava o homem. A garoa fina que caía naquela escuridão parecia ter o poder de iluminar a cena surreal, do templário ferido contra o monstro. E as últimas palavras do templário, que ficariam gravadas na mente daquele elfo, foram ouvidas com atenção por ele.

    "Um combatente não é o mais forte. Não é o mais bem equipado, nem o mais bem armado. Não é o que possui mais poderes ou maiores capacidades. Um combatente não é nomeado por títulos, posses ou honrarias. Um combatente é alguém que ama. Um alguém que ama o próximo. Que ama a família e os amigos. É alguém que ama a própria vida, a ponto de abrir mão dela para o bem de todos que ama! E sua maior arma é o poder que emana da sua essência! Jamais vou recuar diante do inimigo! Eu sou um Cavaleiro da Ordem do Dragão, arauto da paz!"

    E sob essas palavras, o templário desarmado avançou. O Ferreiro viu o homem ser mortalmente ferido pelo monstro e por suas pequenas crias, de risada estridente e maléfica. E no silêncio de seu esconderijo, viu quando aliados do homem finalmente chegaram e derrotaram o Bafomé. Mas o que realmente lhe seria marcante foi o momento em que ELAS apareceram. Lindas, pernas e braços torneados, armaduras e armas brilhantes. Oito Valquírias, que cercaram o templário e choraram sua morte. E tão sinceras e puras foram as lágrimas das Valquírias que uma pequena poça se formou naquele lugar. E tão rápido quanto chegaram, partiram, carregando o corpo dele para o descanso final, no Valhalla.

    O elfo, parado ali há horas, ainda absorvia tudo aquilo. Seus braços, molhados de chuva, foram o apoio para que se levantasse. Caminhou até a água e ajoelhou-se. Suas mãos tocaram o líquido da poça sobrenatural. Ficou olhando o próprio reflexo, que era distorcido pelas gotas que caíam.

    - Eu juro, diante dessas lágrimas - disse ele, olhando o rosto refletido - que jamais, enquanto eu viver, voltarei a forjar uma arma ou armadura.

    Uma pena então caiu na água. Essny virou-se e ficou boquiaberto diante da visão - uma Valquíria.

    - Se veio tirar minha vida, eu aceito e não tenho a menor intenção de reagir, senhora. - disse ele, prostrado no chão, com o rosto baixo.

    - Não precisa ter vergonha de me olhar, guerreiro. De fato, não voltará a forjar nesta vida. Mas também errou em tua conclusão. Não vim para cessar tua existência.

    A floresta ficou mais escura. Essny olhou para a mulher alada, mas seus olhos élficos tinham dificuldade em encontrá-la.

    - Não consigo enxergá-la, minha senhora.

    - Pois acostuma-te à escuridão. Ela será teu refúgio e abrigo. Pois assim diz Hildr, e assim há de ser.

    Resignado, o elfo ficou de joelhos. Abaixou a cabeça e, com atenção, ouviu as palavras da Valquíria.

    ***

    Cerca de quinhentos anos depois
    Izlude

    A respiração das pessoas estava presa com a luta. A arena, em Izlude, estava lotada. Aquele era o combate final do torneio amador de pugilismo do reino. Os dois finalistas se enfrentavam com garra e determinação. E um deles, porém, estava acuado em um dos cantos do quadrado. Suas luvas, azuis, estavam sujas com o próprio sangue. Um dos olhos estava roxo, quase fechado. Suas costas estavam apoiadas no pilar que unia as cordas daquele ângulo. Uma mulher segurava um pingente com um escudo, desesperada.

    Seu nome era Margareth. Margareth Belmont. Recém-casada, estava sufocada com o medo e, mais que isso, com a surra que um dos homens levava.

    - Atena, por favor. Olhe de meu marido. Por favor...

    E o louro recebia golpes violentos. Seu longo cabelo movia-se selvagemente para os lados cada vez que a luva do oponente acertava seu rosto. Suas bochechas sangravam muito. Mas o que chamava a atenção é que o homem que apanhava, sorria.

    - Já tá com a idéia variada, maluco? - perguntou o moreno, suando em bicas, respirando como um touro.

    - Heh. Você bate forte. Mas parece cansado.

    O moreno não respondeu. Deu dois socos rápidos, abrindo a guarda do louro, e finalizou com um cruzado no rosto dele. Em alguns segundos, o rosto do louro encontrava a lona. Ouviu ao longe uma contagem, enquanto via, com o olho aberto, a esposa aflita na platéia. Piscou para ela e se levantou sem muito esforço, para surpresa do adversário.

    - O que significa isso? - disse o homem, assustado.

    - Como eu falei, você parece cansado. - respondeu o louro, tirando sangue da boca com as costas da luva.

    Como um trovão, o louro partiu para cima do moreno. Começou a disparar repetidos socos, rápidos e fortes. Se em um momento parecia próximo de ser derrotado, agora batia como se a luta tivesse acabado de começar. A platéia reagia com cada golpe, berrando e assobiando, extasiada com aquilo.

    - Vai! - o louro continuava sorrindo, com a boca sangrando, enquanto batia - Pergunta logo!

    O moreno tentava se defender, mas os socos foram minando suas energias. Seu rosto agora estava com mais cortes e hematomas do que o do louro. Foi se encolhendo, tentando inutilmente se proteger dos murros.

    - Oooolha! - insistiu o louro, batendo sem pausa - Você vai cair e não vai fazer a pergunta! E não vai aprender!

    - Desgraçado! - o moreno cuspiu sangue enquanto gritou - COMO reagiu assim?

    O sorriso sangrento no rosto do louro aumentou. Agora sim ele sentia-se completo. Aquele questionamento massageava seu ego.

    - Só reage quem está perdendo, amigão. Não era o meu caso. Eu fiquei apanhando enquanto você se cansava. É diferente.

    Furioso, o moreno avançou. Seus socos acertaram apenas o ar, enquanto o louro esquivava. Vindo de baixo, então, o punho do louro atingiu o queixo do oponente. As pernas dele tremeram. Seus braços relaxaram, e o enorme homem caiu imóvel na lona. O juíz abriu a contagem, enquanto o louro limpava o suor e o sangue do rosto com as bordas das luvas.

    - ... oito... nove... dez! - um gongo soou - E o vencedor por nocaute é Leonaaaaaard Belmont!

    Margareth correu, empurrando pessoas. Subiu na arena, e sem se importar com sangue ou suor, abraçou o marido.

    - Não faça mais isso, Leo.

    - Fica tranquila. - dizia ele, tirando o protetor cheio de saliva e sangue - Eu estou certo sobre minha teoria, e é isso que importa.

    - Mas precisa disso, amor? Olha seu rosto...

    - Bah! Uma curinha e fico novo. Pra quê servem Sacerdotes, no final das contas? Eles precisam fazer algo mais além de ficar apanhando de monstros enquanto alguém ataca de longe!

    Os dois riram, se olhando com cumplicidade. Notaram um rapaz se aproximar, segurando um lápis e um bloco de notas.

    - Com licença, senhor Belmont. Concede uma entrevista para o Clarim de Izlude?

    - Claro. - respondeu o louro, enquanto sua esposa arrumava o rabo-de-cavalo dele.

    - O senhor venceu o torneio sem perder nenhum combate. Qual o segredo?

    - Treinamento duro, disciplina e dedicação.

    - Desde quando o senhor treina boxe?

    - Treino com o meu pai desde que eu era pequeno.

    - E por que o seu corpo está com essa coloração meio roxa? O que seria? Parece magia...

    - Nada. - a resposta foi rápida - É impressão sua.

    - Onde reside, senhor Belmont?

    - Geffen, com a minha esposa aqui, Margareth.

    - Certo. E o senhor é Cavaleiro ou Monge?

    - Sou Bruxo.

    O repórter riu. Balançou a cabeça, pois tinha escrito "Bruxo" em sua ficha, mas riscou.

    - Tudo bem, vou deixar isso como brincadeira. As pessoas vão rir. Mas sério, o que o senhor é?

    - Bruxo.

    - É piada, né?

    - Eu estou rindo?

    Os dois ficaram em silêncio. O repórter parou, ora olhando para Leonard, ora olhando para o bloco de notas. Por fim, recebeu um tapinha no ombro, do Bruxo que se afastava.

    - Eu te ajudo. "Bruxo enche Cavaleiro de porrada na final do torneio de pugilismo amador de Izlude. Detalhes na página cinco" - disse, saindo sem olhar para trás, segurando a mão da esposa com uma mão e o troféu com a outra.

    ***

    Geffen, algumas horas mais tarde

    O aroma de chá invadia o aposento da confortável casa. Margareth trazia uma bandeja com dois bules e duas xícaras. Repousou-a em uma mesinha de madeira. Leonard mal olhou a esposa, concentrado em um livro, no meio de tantos outros abertos sobre uma mesa maior.

    - Com leite ou sem?

    - Com.

    Margareth despejou cuidadosamente o chá dentro de uma das xícaras. Pegou outro bule e derramou algumas gotas de leite nele, dando-lhe nova aparência. Ela serviu o homem, deixando a xícara do seu lado. Ele agradeceu e virou-se para ela, dando um pequeno gole.

    - O que descobriu, querido?

    - Que eu estou certo. Aliás, sempre estou. Mas descobri mais que isso. Eu estou terrivelmente certo. Por que um artefato se chamaria "Olho de Oparg"? Ora, é simples! Por que ele foi de algum "Oparg"! E existiu um Oparg. Veja isso.

    Ele pegou um pergaminho e abriu-o na mesa. A curiosa esposa olhava as anotações por cima, mas gostava mesmo de ouvir as explicações da boca dele.

    - Há muito tempo - prosseguiu o louro, com o olhar perdido nas palavras - uma mulher despertou a luxúria em Odin. Como várias, aliás. Sabe-se que o todo-poderoso não é exatamente um exemplo de fidelidade. Mas ele sentiu-se atraído por uma garota humana, uma certa "Lineth". Levou-a para o Valhalla e fez amor com ela até não poder mais, e deu-lhe dois presentes: deu um anel e permitiu que ela fosse uma de suas Valquírias. Lineth, agora como serva de Odin, começou a trabalhar para ele, recolhendo mortos do campo de batalha e fazendo valer sua lei e ordem.

    Leonard pegou outro pergaminho e abriu-o. Seus olhos estavam hipnotizados. Ele adorava contar histórias, e um dos motivos que o fizeram apaixonar-se por Margareth foi a vontade dela em ouvir o que ele tinha para contar.

    - Foi em algum ponto aqui, Maggie. - disse, segurando o pergaminho aberto - Em algum lugar dessa história, foi quando aconteceu. A Valquíria Lineth conheceu um homem que a fez se apaixonar. Seu nome é irrelevante, pois na verdade ele era a personificação de Oparg, o deus dragão. E ele, com sua magia, na verdade apenas quebrou o encanto que Odin tinha jogado sobre a moça. Encanto este que encontrava-se no anel, uma magia conhecida como "Anel dos Nibelungos".

    - Ela o amava por causa do anel então?

    - Sim! - respondeu ele, feliz em ser acompanhado no raciocínio. Margareth era, de fato, muito inteligente - E ela se apaixonou por Oparg. Abandonou o cargo de Valquíria e fugiu com o deus dragão, sabe-se lá para onde. Odin ficou possesso. Ele tinha muitas amantes, mas não suportava quando alguém lhe roubava uma. E como tantas outras vezes, com outros deuses, aconteceu uma guerra secreta entre o panteão de Odin e o de Oparg. E como nos prova o artefato "Olho de Oparg", quem venceu foi o senhor do Valhalla.

    - Senão teríamos um "Olho de Odin" agora, não? - disse a mulher, sorrindo.

    - Sim, querida. Em todo caso, Oparg escondeu Lineth de Odin. Mesmo derrotado, ele não falou onde a moça estava. Ninguém sabe seu paradeiro até hoje. E depois de vencer o deus dragão, Odin destruiu seu corpo e separou as partes, para que ninguém nunca soubesse que ele, de certo modo, falhou. Digo, ele venceu Oparg, mas não ficou com a mocinha no final. Não satisfeito, fez um simulacro de Lineth, para fingir que tinha vencido e que tinha reconquistado seu troféu.

    - Simulacro?

    - Sim. Uma cópia. Ele pegou o corpo de uma garota malvada que era parecida com Lineth e matou-a. Fez um acordo com Hela, que deixou sua alma e vontade submissa a Odin. Assim, uma das Valquírias de Odin, hoje, é essa farsa.

    - Ai, Leo, que horror!

    - Mas não é isso o que me causa comoção.

    - E o que é?

    - Oparg não era um deus tolo. Ele não ia matar ou exterminar Lineth. Seja como for, mesmo tanto séculos depois, ela existe e está viva. E ele deixou um "mapa do tesouro" em algum lugar. Alguém, um dia, vai achar essa mulher. Caso contrário, sua luta com Odin não faria sentido. Nem sua derrota.

    Com calma, ele se levantou e foi até algumas caixas que estavam ao lado de um armário. Abriu-a e tirou um embrulho. Levou até a mesa, cuidadoso.

    - Encoste a janela. - disse para a esposa enquanto abria as tiras de pano. E ali se revelou um brasão de guilda. Eram duas letras: uma letra O vermelha e um D dourado, mas muito gastas. O símbolo era feito de pano e estava velho, cheio de pontas e sujeira.

    - "OD"? - Margareth se inclinou, vendo as letras - O que significa?

    - Esse símbolo, segundo meus estudos, data de mais de quinhentos anos atrás, quando Glast Heim ainda era a capital. "OD", querida, significa "Ordem do Dragão". E este brasão é o elo perdido que liga Odin, Oparg e Lineth.

    - E o que você vai fazer?

    Leonard sorriu. Dobrou o embrulho com o brasão novamente e guardou-o de volta na caixa. Ficou de costas para a mulher e esticou os braços, para que ela lhe vestisse o manto bege e marrom de Bruxo.

    - O que eu sempre faço. Vou descobrir a verdade.

    ***

    Caverna Oeste de Comodo

    Os homens estavam sem reação. Há alguns minutos, aquele bando de mercenários estava quase terminando sua missão. Recuperaram um baú enterrado e perdido ali há séculos. Mas estavam acuados, e por um único homem. Leonard, com o olhar compenetrado, encarava o que parecia ser o líder.

    - Agora lhe daria a opção fácil. Você deixa essa caixa no chão, eu pego ela e vocês vão embora. Mas você não vai fazer isso. Falando assim, eu desafio a sua autoridade diante de seus colegas. É óbvio que você está precisando se firmar socialmente, e se eu subjugá-lo apenas com minhas palavras, você jamais teria sua moral com estes outros homens. Então você pode me atacar.

    O Mercenário soltou a caixa e puxou suas adagas, mas sentiu algo de errado. Suas pernas estavam rígidas. Olhou com terror vendo que estava se petrificando. E com o rosto deturpado pela sensação, parou, imóvel.

    - Quanto a vocês três, a proposta é mais generosa. Eu realmente deixaria vocês fugirem assustados. Ou podem só pegar seu líder e levá-lo para as cabanas da praia. Mas esta não é a oportunidade perfeita para uma vingança? Digo, eu sou um Bruxo. E vocês são três mercenários. Armados.

    O primeiro avançou. Segurou firme a katar e pulou. Foi atingido no peito por uma coluna de pedra, saída do solo. Perdeu o ar e mal conseguia ficar acordado, enquanto viu um meteoro mítico surgir no meio do nada, atingindo em cheio o segundo, tirando-o também do combate. O impacto da pedra deixou o terceiro homem tonto, sem conseguir se controlar.

    - "Como ele fez isso sem usar as mãos?" - disse Leonard, com os dois braços para trás, olhando o Mercenário - Ah, é claro. Você pensou isso, né? Desculpe desapontá-lo. Sei que gosta dos meus colegas mais teatrais. Talvez eu devesse erguer meus braços assim.

    O louro levantou os braços, fazendo o homem recuar e dar com as costas na parede.

    - E talvez eu devesse dizer algo assim: Ifrit, senhor do fogo e das chamas! Permita-me embeber meus braços em seu calor infernal! Que meu Mana queime até o infinito e que a carcaça perene desta criatura volte ao pó diante de teu abraço!

    O Mercenário começou a suar. Nada aconteceu. O silêncio o estava matando.

    - Ou eu podia fazer isso.

    Leonard ergueu uma das sobrancelhas e uma barreira de fogo surgiu na frente do mercenário. Depois outra do seu lado. E outra.

    - E aí você escolhe entre eu explodir você aí dentro ou... dane-se. Tenho mais assuntos a resolver aqui.

    O Bruxo ajeitou o óculos, enquanto uma rajada azul puro saiu do solo, da sua direção até o Mercenário, que foi envolvido em um bloco de gelo. Sem pressa, ele andou até a caixa que o primeiro homem soltou. Pegou-a, analisando a tampa.

    - A Chuva de Meteoros - disse, olhando as gravuras entalhadas na madeira - tem uma pequena chance de causar tontura e perda de sentidos no alvo. Os dois homens que ataquei agora foram vítimas de tontura. Existem alguns outros ataques, porém, que têm essa mesma chance. O Golpe Fulminante, por exemplo. Mas existe um mais eficiente, que foi batizado como "Martelo de Thor".

    Ele virou-se para um canto escuro da caverna, com a caixa sob um dos braços.

    - A desvantagem é que, mesmo quando se usa esta técnica estando oculto, o solo treme. E para alguém que é diretamente ligado com o ambiente e suas forças, como eu, alterar os elementos que me rodeiam é como tentar passar escondido vestido de preto em uma sala toda branca e iluminada. Além disso, notei sua presença ainda na minha casa, do lado de fora da janela, com esse cheiro de suor não disfarçado, há cerca de quarenta e oito minutos.

    A caverna continuou em silêncio. Leonard sorriu.

    - Já mencionei também que eu ganhei o leilão em Prontera de uma carta Maya Macho?

    - Então as histórias sobre você são verdadeiras.

    Uma figura apareceu diante de Leonard. Vestia-se com uma roupa que parecia ser a de um Ferreiro, mas modificada. As botas eram diferentes, além da camisa ser menor. A calça tinha outros detalhes. O corpo era musculoso. E as orelhas, pontudas.

    - E, claro, elfo. - complementou Leonard, sem alterar a expressão - Descuidado assim, só podia ser uma criatura que despreza os seres humanos a ponto de subestimar nossa capacidade de observação.

    - Não tenho palavras para dizer em como estou feliz em encontrá-lo.

    - Responda-me então as duas únicas coisas que ainda não deduzi. Seu nome e o que quer comigo, coincidentemente quando consigo este artefato.

    - Meu nome é Essny Tahllam. Venho de uma casa élfica esquecida há séculos. Carrego uma enorme vergonha nos meus ombros, e vivo cada dia de minha vida para limpar minha honra.

    - Desculpe, não estou emocionado. Se puder me responder logo o que perguntei, agradeço. Meu tempo é precioso.

    - Talvez se interesse então na história do deus dragão Oparg.

    - O que você sabe sobre ele?

    - O suficiente para ter sua atenção, talvez? Você conseguiu agora o segundo Olho de Oparg. E você sabe que não são apenas duas as partes dele.

    - E qual seu interesse em reviver o deus dragão, elfo?

    - O interesse, humano - uma voz feminina chamou a atenção do Bruxo - é meu.

    Assim como o elfo, a mulher alada surgiu, com as asas gloriosas abertas, pousando suavemente no solo. Ela arremessou uma gema branca no chão, que abriu um portal da mesma cor.

    - Um portal divino. - comentou o Bruxo, sem surpresa - Para onde vamos?

    - Para longe destes homens, que vão acordar em breve.

    Sem perder tempo, Leonard e Essny entraram, seguidos da Valquíria. Em uma fração de segundos, estavam em um lugar bonito, no meio do céu azul. Nuvens passavam por eles e pelo chão de mármore branco.

    - Este é o Hall dos Heróis, Leonard Belmont. E o trouxe aqui por duas razões. Uma é a privacidade. A outra é pagamento.

    - Não estou vendendo nada.

    - Não é por venda. É por recompensa. Você vai nos ajudar, e eu lhe honrarei com o título máximo que alguém de sua classe pode conseguir.

    - Vai me tornar um Arquimago?

    - Sim, assim como ela me tornou um Mestre-Ferreiro - disse Essny, sereno.

    - Eu sou Hildr, uma das Valquírias que serve fielmente a nosso senhor todo-poderoso Odin. Há uma traidora em Asgard, vivendo entre os escolhidos. Você sabe disso.

    - E desculpe ser direto, mas o que isso tem a ver comigo? Por que eu te ajudaria? Por que acha que me oferecer a promoção de Arquimago iria me estimular a tomar uma atitude em seu favor?

    - As respostas para todas estas perguntas, Leonard Belmont, resumem-se a uma: a continuidade de sua família depende do fracasso de nossa traidora. E você é o único capaz de fazê-la fracassar.

    - Sou todo ouvidos, moça.

    - Antes de começar, saiba que não lhe darei suporte algum, a não ser informação. Não vou socorrê-lo em combate nem realizar milagres. Se algo der errado, jamais, sob hipótese alguma, meu nome será envolvido.

    - Uma mulher sincera. Que raridade... então diga-me quem é a tal traidora e por onde começamos. Ou melhor, diga-me onde isso envolve minha família.

    - Lembra-se de seu antepassado, o qual você resgatou o brasão da Ordem do Dragão?

    - Julian Belmont. - a resposta foi imediata, e Leonard não deixou de reparar que Essny ficou cabisbaixo à menção de seu nome.

    - É exatamente aqui que começa nossa história.

    E apenas o vento, o sol e o céu foram testemunhas daquela conversa, até aquele momento. Começava ali uma busca que duraria décadas.

    ***

    Ir para o capítulo II

    (arte da capa sem os logos no nosso blog)

    Leafar



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  • 04-25-2008 2:26 Em resposta à

    • Pdrk
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    Re:RagnaTale: Leo

    Ficou bem legal, Leafar. A história é interessante, as piadas são bem planejadas e o enredo e desenrolar dos fatos são quase perfeitos. Mais uma excelente história pros registros.

    P.S.: Cara, eu ri demais quando vi a capa. Já lembrei na hora de Rocky Balboa. Muito hilária a capa.

    The fire of life!!!



    http://sites.levelupgames.com.br/Forum/perfectworld/forums/t/304051.aspx?PageIndex=1
  • 04-25-2008 11:23 Em resposta à

    • The Unknown
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    Re:RagnaTale: Leo

    Pdrk:

    Ficou bem legal, Leafar. A história é interessante, as piadas são bem planejadas e o enredo e desenrolar dos fatos são quase perfeitos. Mais uma excelente história pros registros.

    P.S.: Cara, eu ri demais quando vi a capa. Já lembrei na hora de Rocky Balboa. Muito hilária a capa.

     

    Somos dois! Eu demorei a ler a história por causa da capa! Toda hora eu ria vendo ela.

    Leafar, queria mencionar algo que me parece ser um erro. Quando a Valquíria fala com Leonard sobre o brasão, ela menciona Julius como descendente. Não seria ascendente, visto que ele viveu na época da primeira Ordem do Dragão?

    Aliás...Lineth??? Hmm, Valkyrie Profile detected? Heheheheheh!! No mais, ótima história, mais uma a nos irritar pela demora em continuar (brincadeira!).

    Enquanto a busca no fórum não funciona, aprenda a pesquisar aqui usando o Google, neste guia.

    Ainda não sabe o que acontece quando se usa Shift e Ctrl ao mexer na câmera? Descubra aqui e literalmente veja Rag com outros olhos. xD

    Twitter oficial da Level Up! http://www.twitter.com/ragbrasil

    Database atualizado com o episódio 13.1 http://ro.amesani.org/db/
  • 04-25-2008 12:18 Em resposta à

    • Kawako
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    Re:RagnaTale: Leo

    Eu quero cabelo no suvaco Choro

    Como disse Adolf Hitler: " A Taça do Mundo é nossa !!! "
  • 04-25-2008 12:24 Em resposta à

    • Pdrk
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    • Entre o inferno e a tempestade.
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    Re:RagnaTale: Leo

    Isso aí é a trança dele

     

    E sério. Você não quer ter cabelo no suvaco. Acredite.

    The fire of life!!!



    http://sites.levelupgames.com.br/Forum/perfectworld/forums/t/304051.aspx?PageIndex=1
  • 04-25-2008 13:26 Em resposta à

    • Miara
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    • Sampa
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    Re:RagnaTale: Leo

    Hmmm que cabelo no suvaco que nada, eu quero é saber detalhes daquela tatoo de deviruchi que o sr. Leonard tem. Leonard, Leonard, quem te viu, quem te vê... gostei de ver o "seu" Leonard apanhando. Ah, que divertido, vou dar uma cajadada num poring em homenagem a ele... ou lançar um portal divino, daqueles que só eu sei fazer!

    E não fala mal do laguinho, viu? Eo amu eli.

    Parabéns pela história,


     

  • 04-25-2008 14:40 Em resposta à

    Re:RagnaTale: Leo

    Leafar:
    E por que o seu corpo está com essa coloração meio roxa? O que seria? Parece magia...

    - Nada. - a resposta foi rápida - É impressão sua.

     

    LOL o trapaceiro uso proteção arcana Surpresa

    Leafar:
    Eu te ajudo. "Bruxo enche Cavaleiro de porrada na final do torneio de pugilismo amador de Izlude. Detalhes na página cinco" - disse, saindo sem olhar para trás, segurando a mão da esposa com uma mão e o troféu com a outra.

     

    UM dia ainda vo te um ataque de tanto rir,e ai você que vai te que paga a conta do hospital.

     

     

    Em geral a fic ta muitu boa !!!!!

    The Unknown:

    Pdrk:

    Ficou bem legal, Leafar. A história é interessante, as piadas são bem planejadas e o enredo e desenrolar dos fatos são quase perfeitos. Mais uma excelente história pros registros.

    P.S.: Cara, eu ri demais quando vi a capa. Já lembrei na hora de Rocky Balboa. Muito hilária a capa.

     

    Somos dois! Eu demorei a ler a história por causa da capa! Toda hora eu ria vendo ela.

    Leafar, queria mencionar algo que me parece ser um erro. Quando a Valquíria fala com Leonard sobre o brasão, ela menciona Julius como descendente. Não seria ascendente, visto que ele viveu na época da primeira Ordem do Dragão?

    Aliás...Lineth??? Hmm, Valkyrie Profile detected? Heheheheheh!! No mais, ótima história, mais uma a nos irritar pela demora em continuar (brincadeira!).

    Vocês podem não acreditar,mas antes de vim pro forum eu tava assistidno Rock 5 xD



  • 04-25-2008 14:59 Em resposta à

    Re:RagnaTale: Leo

    Eu lembrei que o personagem 3 do Zack Holyheart se chama Luneth :D E ri abobadamente...

    No mais, gostei da história. Me senti preso do inicio ao fim. Não consegui parar no meio para trabalhar. Que meus chefes não leiam isso.
    Acho que faltou um desenho de uma Valkie xD

  • 04-25-2008 17:25 Em resposta à

    • Leafar
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    Re:RagnaTale: Leo

    Olás!

    Pô, a capa é dramática! ;_;
    Boxe! Luta true, verdadeira, roots! Punho contra punho, The Contender! Sem roubo tipo Proteção Arcana. >:O (né, Sniper? hehehehehe)

     
    Unknown, você tá certo. É ascendente. Escrevi errado, já vou corrigir! Valeu! :D
    E Lineth parece mesmo com Leneth. Adorei Valkyrie Profile! To my side, my noble Einherjar!1!!1!!11!!!!

     

    E só aproveitando pra responder um comentário do blog. Então, essa fic é mais rápida de publicação! :) Só tem capa P&B e o texto é mais rápido. Ela vai entreter vocês nos intervalos de Morroc Saga e Garra das Trevas.

    O NIORI vai dar uma pausa esse final de semana, pra resolver um pau na placa de vídeo. O PC tá tão lerdo que ele não consegue nem dar alt+tab... :(

    Abraços,
    - Rafa
    Leafar



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    - A quem merece, oferecemos nossas cores para honrar. A quem inveja, oferecemos nossa sombra para viver.

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  • 04-25-2008 21:04 Em resposta à

    Re:RagnaTale: Leo

    @kawako
    uhaua essa eu ri xDD

    @leafar
    Muito boa =D, realmente eu gosto muito das suas fics, começei bRO a pouco tempo + ja venho lendo suas fics a tempo =D, começei pela Hora zero e depis li OverPower!!! xD...essa Fic ta ficando bem legal Leafar =D, parabens e continue assim

    Começando ~~~~

    Rock AciD - Mercador pré Alchemist

    qualquer coisa pm
  • 04-26-2008 8:48 Em resposta à

    Re:RagnaTale: Leo

    Leafar:
    Ela vai entreter vocês nos intervalos de Morroc Saga e Garra das Trevas.

    Leafar:

    O NIORI vai dar uma pausa esse final de semana, pra resolver um pau na placa de vídeo. O PC tá tão lerdo que ele não consegue nem dar alt+tab... :(

    Xiiiii,pra ele fase uma nova fic que irá intreter a gente entre MS e GdT e no mesmo post diz que o PC d NIORI deu pau( DE NOVO!) é porque vamos fica sem Gdt e MS por um tempo e ele ta querendo conter a rebelião.



  • 04-27-2008 12:09 Em resposta à

    • Lord Thanathos
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    Re:RagnaTale: Leo

    Nussa sinhora como você consegue escrever 3 histórias ao mesmo tempo?... Ah, num importa. O que importa é o tanto que elas são boas E que saiam logo. Mimimimimi....


    Finalmente consegui! Troquei de nome!
  • 04-27-2008 20:57 Em resposta à

    • Kyrie
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    Re:RagnaTale: Leo

    General Leafar seu fanfarrão! 

    Escreve uma fic do nada e nem dá os toques pras quebrada! 

    Mas esse Leo ae é Troozão, desceu o *** no cavaleiro e ainda deu uma de marrento!

    Parece até aquele tal de Panelão, outro marrento de fivela sô!

    Mas Bah Tche! E esse ferreiro covarde ae? Acho que eu já conheço ele, mas elfo... hum......................

    E segundo o espaço intervalar de escritas de contos sobre este mundo ultra-fantástico venho à conclusão que sua possível ascendente dinamica na ordem cartesiana bacharelada vá se apresentar em um período do espaço tempo deveras distante.

    E como dizia minha vó quando ela ia ao banheiro depois de uma feijoada: "quem viver verá! ou quase isso". 



    Semi-Inativo! qualquer coisa PM!.
  • 04-28-2008 3:35 Em resposta à

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    Re:RagnaTale: Leo

    Kyrie:

    General Leafar seu fanfarrão! 

    Escreve uma fic do nada e nem dá os toques pras quebrada! 

    Mas esse Leo ae é Troozão, desceu o *** no cavaleiro e ainda deu uma de marrento!

    Parece até aquele tal de Panelão, outro marrento de fivela sô!

    Mas Bah Tche! E esse ferreiro covarde ae? Acho que eu já conheço ele, mas elfo... hum......................

    E segundo o espaço intervalar de escritas de contos sobre este mundo ultra-fantástico venho à conclusão que sua possível ascendente dinamica na ordem cartesiana bacharelada vá se apresentar em um período do espaço tempo deveras distante.

    E como dizia minha vó quando ela ia ao banheiro depois de uma feijoada: "quem viver verá! ou quase isso". 

     Tradução, pelamordedeus?

    The fire of life!!!



    http://sites.levelupgames.com.br/Forum/perfectworld/forums/t/304051.aspx?PageIndex=1
  • 04-28-2008 16:42 Em resposta à

    Re:RagnaTale: Leo

    Muito boa a fic, prendeu a atenção e a respiração quando ele deu aquela levantada de sombrancelhas pra fazer a Barreira de Fogo. Sério, você descreve minha classe favorita muito bem! hehehe 

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